Gabriel Cohn

No dia 14 de dezembro de 2013 a então docente da Universidade Católica de Santos-Unisantos Amélia Cohn encontra na sua correspondência e-mail enviado de seu endereço pessoal no final da tarde do dia anterior, sexta-feira 13, pelo coordenador da Pós-Graduação daquela universidade, professor Fernando Fernandes. Em tom formal (com direito a endereço e número da sala) ela é convocada para reunião na segunda feira seguinte, dia 16, “entre 9 e 12 horas” com a coordenação do programa de pós graduação strictu sensu em Saúde Coletiva, em cuja criação teve papel decisivo na década passada. Copiadas na mensagem estavam a coordenadora do programa de Pós, professora Denise Martin Coviello, e a vice-coordenadora, professora Aylene Emilia Moraes Bousquat. Justifica-se o remetente por entrar em contato tão tarde: é que não havia encontrado a docente no seu “recinto de trabalho”. Tema da reunião? Nem uma palavra. De imediato Amélia Cohn responde para confirmar sua presença no dia 16 às 9 horas, não sem manifestar sua estranheza pela suposta dificuldade para localizá-la na sua sala de trabalho ou em sala de aula e pela ausência da pauta da reunião. No dia 16, no horário marcado, ela se apresenta. Estão presentes o coordenador geral e a coordenadora do programa. Encontra-se também à mesa o professor Sérgio Baxter Andreoli, sem cargo no programa naquele momento, embora prestes a ser empossado como coordenador. Uma composição enigmática, pelas presenças e ausências. A reunião resume-se na entrega, pelas mãos do coordenador geral, de carta de demissão da instituição empregadora. Em seguida a ex-docente da casa retira-se, sem ao menos ser cumprimentada e acompanhada até a porta pelos colegas, no desfecho de um processo marcado por situações de constrangimento e agravos morais. Nada de especialmente chocante, dirão alguns. É assim que costumam agir as empresas, com demissões sumárias no contexto de programas de “limpeza” de pessoal, sempre mediante “tratamento de choque”. Não é tão simples neste caso, como passo a expor.

Chamam a atenção algumas peculiaridades. Em primeiro lugar, a demissão (assim como a admissão) é prerrogativa da instituição empregadora, não de departamento ou programa interno a ela. À coordenação do programa cabe indicar aos colegiados e outras instâncias adequadas, seja nomes para admissão mediante concurso regularmente realizado, seja o credenciamento de docentes, seja, no limite, o descredenciamento de algum deles, devidamente motivado e com amplo direito de defesa pelo interessado. A propósito disso, alegou-se (perante questionamentos de terceiros, não em momento algum perante a interessada) que a condição de executores do ato final do processo de demissão fora assumida sob pressão irresistível do reitor, este sim o responsável por tudo. Enfim, coordenadores não demitem, mas, constrangidos, podem indicar nomes.

Pouca vergonha, dirão os mais impacientes. Aqui, porém, antes da justa indignação e do não menos justo desprezo cabe concentrar a atenção em como se deu a coisa. Há abundantes indícios de que essa demissão, e a imediatamente seguinte, da professora Rosa Maria Ferreiro Pinto, antiga pró-reitora, criadora e coordenadora do NEPEC, núcleo de pesquisa credenciado no CNPq e vinculado ao programa de pós graduação em Saúde Coletiva desde 2003, além de figura fundamental na organização e implantação do curso de Serviço Social e do mencionado programa de pós em Saúde Coletiva (neste caso, com a direta colaboração de Amélia Cohn, levada à Unisantos especialmente para esse fim) obedeciam a plano traçado em caráter reservado no interior do próprio programa junto à alta direção da universidade, sem participação direta do colegiado pertinente. Pouco antes das demissões realizou-se concurso de admissão de docentes, com banca presidida pela professora Aylene Bousquat. Havia, naquele momento, três vagas para preencher. Foram aprovados cinco candidatos. Previa-se, pois, que mais duas vagas se abririam em seguida. Pressão do reitor, diriam. Entretanto, quando publicamente interpelada por estudante sobre se aquelas demissões significariam a destruição do programa, a professora Aylene Bousquat traiu-se, respondendo que “nós” (não ele ou eles, nós) queremos, não destruir, porém “tornar melhor” o programa. Os próprios termos da convocação de Amélia Cohn revelam-se expressivos nesse contexto, com suas insinuações sobre negligência funcional. A propósito, cabe lembrar que ela vinha exercendo a docência também na Graduação, não estando pois submetida apenas à coordenação de Pós. Quanto aos estudantes, ou pelo menos uma expressiva parcela deles, é natural que se sintam lesados. Pagam para estudar num programa com determinado corpo docente e de súbito, sem qualquer consulta ou explicação, o vêem mutilado, não por desistência de algum dos seus membros nucleares nem por justa causa, mas por um ato inteiramente unilateral da direção. Não estão recebendo aquilo pelo qual se inscreveram, nem foram consultados ou sequer comunicados a respeito de planos de mudança. São tratados, em suma, como externos à instituição e irrelevantes para ela.

Em termos trabalhistas o processo aqui exposto é inteiramente legítimo. A direção da Unisantos é livre para, respeitada a legislação, demitir quem lhe aprouver no momento que lhe interessar e tem como responder por isso. Causa espécie, sim, o modo de agir. Trata-se de caso modelar de afronta aos cuidados mais elementares de consideração e respeito pelo conjunto da comunidade acadêmica, a começar, é claro, pelas vítimas diretas de ato planejado em segredo por pequeno grupo e executado com extrema truculência. Quem disse que as professoras Amélia e Rosa, que não ingressam agora no mercado de trabalho nem chegaram ontem, não têm nomes a zelar nem compromissos materiais sérios no curto prazo, que poderiam ter sido reorientados se o processo fosse conduzido de forma civilizada? No mínimo em termos morais três integrantes da coordenação (um deles ainda nem confirmado oficialmente no cargo ao participar da “limpeza”) e aquela que esteve ausente na reunião final assumiram dívida de monta. Por sinal, a atitude desta última, a professora Aylene Bousquat, ilustra de modo exemplar o nível de degradação ao qual podem chegar relações acadêmicas que se suporiam pautadas pela civilidade e respeito ao outro. Mestranda e doutoranda com a professora Amélia Cohn na USP e depois, por iniciativa da mestra, sua colega de pesquisa no Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (no qual agora ocupa o cargo de vice-presidente), levada mais adiante pela mesma mestra à Unisantos para lá colaborar na sua área de especialidade, não trepidou em participar ativamente do processo cujo desenlace foi aqui exposto, sem se preocupar em momento algum com a mais leve comunicação ou troca de idéias sobre o que estava em andamento. Sua ausência na reunião final representa apenas o último passo na mesma lógica. Neste caso específico não cabem meias palavras. Trata-se de exemplo modelar de traição, em todos os níveis e por todos os modos.

Nada de especial nisso tudo, continuarão a dizer alguns. Ocorre todo o tempo em todos os lugares. Não deixa de ser inadmissível, contudo. E é mais do que hora de trazer à tona casos modelares como esse e tratá-los pelo que são: precisamente inadmissíveis. Em qualquer lugar e, com mais forte razão, em centros de ensino, formação e pesquisa.

Respostas de 40

  1. SERIA MUITO BOM QUE FOSSEM PUBLICADAS TODAS AS DENUNCIAS DE ASSEDIO MORAL, DEMISSÕES E PUNIÇÕES QUE VÁRIO PROFISSIONAIS DE SAUDE TEM SIDO VITIMAS NO MODELO NEOLIBERAL DE GESTÃO DA SAUDE E DA EDUCAÇÃO. TENHO MAIOR RESPEITO PELA PROFA. AMELIA COHN, CITO ELA FREQUENTEMENTE, MAS ELA MÃO É A ÚNICA, EMBORA TENHA HAVIDO ESPAÇO PARA ESSA DENUNCIA. É PRECISO ABRIR ESPAÇO PARA OS COMPETENTES PERSEGUIDOS E INJUSTIÇADOS E CALAR A BOCA DAQUELES QUE APOIAM CONDUTAS COMO ESSA MAS FAZEM DISCURSOS “PROGRESSISTAS” E SE OMITEM QUANDO SABEM DE ACONTECIMENTOS DESSE TIPO.

  2. Este é o padrão das universidades particulares no país, mas que de alguma forma está contaminando as universidades públicas, ou seja, a lógica da mercadoria, pois o que interessa é produção. Neste caso apenas a criação e a estruturação de um curso. Depois descarte. Talvez uma visão menos utilitarista possa contaminar todas as IES.

  3. Estarrecida e entristecida. Particularmente com a postura de alguém onde admiração e gratidão deveriam se juntar à solidariedade e ética. A injustiça é dor em quem sofre e vergonha em quem a reconhece. Meu abraço carinhoso à Dra. Amélia Cohn. Que o tempo se encarregue de trazer um outro possível. Excelente iniciativa em divulgar esse acontecimento.

  4. Enquanto , metaforicamente , uns tentam furar os olhos dos outros, nas universidades
    públicas e privadas, a saúde vai muito mal, com a conivência de doutores ou dos a eles subordinados. Importante é manter mundos fechados, para ser elogiosa, de tal forma a não permitir que os tais letrados tenham uma vaga idéia do que se passa no mundo real.

  5. Infelizmente o tesouro intelectual da Unisantos está sendo delapidado, mas o que esperar de mentes medíocres?
    Frente a esta barbárie desisti totalmente de iniciar meu doutorado nesta instituição.
    Meu carinho e eterna admiração às queridas Dra. Amélia Cohn e Dra. Rosa Maria Ferreiro Pinto.

    1. Minha solidariedade a grande docente, pesquisadora e intelectual que tanto tem contribuído com seus estudos para a construção do conhecimento no âmbito das Ciências Sociais no Brasil. Entendo que a Unisantos só tem a perder com essa demissão.
      Triste Universidade que não respeita as regras democráticas que deveriam estar presentes na vida acadêmica e não reconhece os que a controem?
      Lamento também pela demissão da professora Rosa Pinto, importante docente e pesquisadora na Área do Serviço Social.

  6. O caso de assédio moral de Amélia Cohn é lamentável e revoltante, como inúmeros outros que foram e continuam sendo produzidos no silêncio dos corredores e portas fechadas de muitos laboratórios e instituições acadêmicas. Minha solidariedade à Amélia Cohn.

  7. Para retransmitir aos meus colegas de pesquisa e estudos em saúde. Principalmente para aqueles que conhecem o péssimo desempenho da senhora Aylene viuva do Professor Paulo, colega de décadas da professora Amelia Cohn na Faculdade de Medicina da USP. Acho inaceitável, embora não inesperada, a conduta desta senhora Aylene.

  8. Querida Amélia, minha solidariedade!
    Cada Ato tem seu valor.
    Parabéns pelo Ato de participar da tal reunião e não ter delatado a convocação, ou seja, respondendo com descaso o descaso d’ instituição.
    Sua carreira na Saúde Pública é mais que isso…
    Abs

  9. é de meu conhecimento que na ENSP, na FIOCRUZ, os mais jovens estão promovendo velada caça aos docentes mais antigos. Desrespeito e burrice, em minha opinião.

  10. Essa história é triste, comportamento lamentável de colegas que até pouco tempo teciam comentários elogiosos aos professores diante do relatório da CAPES que aprovou o doutorado em Saúde Coletiva na UNISANTOS. Passados alguns meses, esses profissionais são demitidos. Parabéns Gabriel Cohn pela iniciativa e coragem.

  11. Professor aposentado suspiro aliviado, no meu egoismo, por já não estar submetido ao imperativo de lidar com os procedimentos e atitudes mesquinhas das burocracias meritocráticas-formalistas-produtivistas que hoje dominam desde o mais alto das agencias á rotineira convivência dos corredores universitários, com a empáfia deslumbrada típica dos novos ricos, os destinos da academia brasileira, com as raras e por isso mesmo mais honrosas, exceções. Qualquer pessoa mereceria mais respeito -porque o respeito deve ser para todos – mas trajetória da Prof Amelia Cohn mereceria, por suas inumeráveis virtudes acadêmicas – exigiria
    mais do que isso: reconhecimento e reverência ao seu esforço continuado e persistente com os objetos de trabalho que a mesma fecundamente elegeu. O que não me surpreende é a ingratidão daqueles que beneficiários diretos de apoio, reconhecimento, abertura de oportunidades, ás cotoveladas fazem apear os seus “benfeitores” numa pressa que parece pretender apagar justamente qualquer sinal da pré-existência generosa dessa relação. A estes que do reconhecimento alheio oferecido, tem a absoluta certeza de que não se lhes foi feito nada, senão o que, aos seus olhos próprios as suas vistosas virtudes nos obrigava, aprendi na saída, a mirar-lhes as canelas e com um butinaço ajudar-lhes (mais uma vez) a mirar o chão ao qual todos voltaremos….

  12. Estou absolutamente chocado com o relato de Gabriel Cohn sobre a recente demissão desrespeitosa e abusiva da Professora Amélia Cohn, ocorrido na Universidade Católica de Santos-Unisantos. A meu ver, nenhum docente ou trabalhador que cumpra adequadamente com suas funções mereceria o tipo de tratamento desrespeitoso a que foi submetida a Professora Amélia. No caso em tela o ato parece-me particularmente grave por tratar-se de docente com trajetória importante na instituição, que agora a demite sumariamente, e com expressivas contribuições para sua área de pesquisa, amplamente reconhecidas na comunidade mais ampla das ciências sociais. Além do desrespeito à Professora, e dos prejuízos para seus alunos, casos como este afetam a dignidade da instituição Universidade. Gostaria de expressar minha indignação e minha solidariedade à Professora.

  13. Fiquei passada ao ler este texto..muiiito triste e lamentável o que ocorreu na UNISANTOS com a professora Amélia Cohn e os outros docentes…a alma capitalista invadiu as Universidades…..que pena…lamentável…precisamos urgente de uma política de humanização no ensino superior….Felizmente Amelia está acima de tudo isso…..

  14. Acabei de saber da demissão e estou boquiaberto. O maior patrimônio intelectual da interface entre a Sociologia e a Saúde Pública, Professora Amélia Cohn, é – simplesmente e sumariamente – demitida, de um programa que, posso testemunhar, ela e a Professora Rosa Maria Ferreiro Pinto, também demitida, construíram. Empresto minha total e irrestrita solidariedade às professoras.

  15. Em qualquer situação onde a divergência é resolvida pelo exercício do poder e não pelo debate, as injustiças podem ocorrer e, em geral, ocorrem. Não há forma ideal de se demitir quando a decisão é unilateral, mas há aquelas que são mais respeitosas. E essas eu raramente presenciei no meio acadêmico nos meus 23 anos de atuação como docente em diferentes instituições. Infelizmente.

  16. Tanto eu como minha parceira de trabalho Profa. Amelia Cohn não entendemos os motivos que levaram à nossa demissão. Ainda mais quando dois o dos professores responsáveis por essa demissão são concomitantemente professores da UNISANTOS (em regime de 40 horas) e professores adjuntos concursados da UNIFESP igualmente com 40 horas e com vínculo de funcionários públicos. Nós duas somos bolsistas de produtividade em pesquisa (CNPq) e, pelo que me consta, é algo importante para qualquer Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu. Agradeço à solidariedade dos colegas mas saio com a tranquilidade de que cumpri meu dever no processo de construção não só do Programa mas da Universidade que servi durante 34 anos. Será que nossa história merece ser jogada fora como papel velho?

    1. Rosa:
      Minha total solidariedade a você e à Amélia.
      Esse ato lamentável, como tantos outros, estão deixando nossa universidade cada vez mais triste.
      É uma pena.
      Um abraço grande.

  17. Infelizmente a UNISANTOS, universidade na qual me formei há quase 30 anos, da qual sempre tive orgulho, vem demitindo professores do mais alto nível no decorrer dos últimos anos. Lembro aqui também as demissões no mesmo estilo das queridíssimas professoras Fátima Michelletti e Claudete Negreiros. Lamento muito pelas professoras Rosa e Amélia, mas sobretudo pela comunidade santista que vê enfraquecido o corpo de docentes desta universidade que tem sido uma das referências em pesquisa e ensino.

  18. Tais situações já vem ocorrendo há alguns anos. Muitos professores qualificados formalmente ou pela experiência foram sumariamente dispensados, sem uma palavra, sem uma explicação.
    Como pensar um núcleo onde a principal função e a de produzir conhecimentos visando sua relação com a prática, preferencialmente, não permite que isso aconteça . A pluralidade de ideias, a discussão dos processos não mais fazem parte dos “interesses”, portanto só resta para quem esta no suposto poder a dispensa de forma não social e quebrando as regras básicas da educação , fica aqui expresso o meu apoio as professoras e a todos os demais que sofreram nos últimos anos.

  19. Demissão não se discute. Ela é uma prerrogativa do empregador e a ele cabe definir com quem quer trabalhar. No caso da Universidade ninguém é de fato o Empregador, mas sim temporariamente representante da Instituição. Essa pessoa deixará sua marca. De alguém com alta competência administrativa, pessoal e humana ou de alguém competitivo, infeliz que se queima com a luz dos outros. Como assistente social sempre propus demissões pré agendadas (para dar tempo para a pessoa se preparar), com respeito e sem traumas. Infelizmente as duas admiráveis acadêmicas não foram as primeiras nem serão as últimas. Pessoas envolvidas diretamente nas suas demissões, provavelmente passarão pela mesma situação no futuro.
    Conhecedora da competência, do conhecimento, do desempenho exemplar da minha colega Rosa, posso dizer com certeza que a grande perdedora foi a Universidade. Ela ganhará sempre, em qualquer lugar que vá.

  20. Sou aluna do Mestrado em Saúde Coletiva da Unisantos, inclusive orientanda da professora Rosa Maria Ferreiro Pinto. Junto com ela e com a professora Amélia Cohn sinto-me desrespeitada e violentada acadêmica e moralmente, ao ter a minha orientadora sumariamente demitida a dois meses da entrega final da minha dissertação.
    É abuso de poder, não somente por parte do grupo responsável, mas também uma atitude antidemocrática do reitor da instituição que confirmou o coordenador atual do Mestrado em Saúde Coletiva com apenas 3 votos de indicação na reunião do colegiado… enquanto entre os mais votados um foi mantido e outra demitida!!!! Quem explica isso??? Inveja, conchavos, barganhas, negociações escusas e por aí afora!!!!
    Quanto a vocês professoras Rosa e Amélia, saibam que além de profissionais competentes, são queridas e amadas (ao contrário de algumas…), muitas pessoas sentirão falta de vocês, mas com certeza em pouco tempo estarão trabalhando novamente, com o curriculum de vocês só essa pobre instituição pra querer ficar sem vocês!!!!

  21. Muito feliz com a iniciativa do prof. Cohen em trazer à consideração da opinião pública os fatos. Há muita ilusão acerca do que seja o ambiente acadêmico, justamente pelo corporativismo e compadrio que acabam abafando tais desfechos. Solidariedade e orgulho pela integridade demonstrada pelos profs. Cohen. Esperança que a Unisantos responda à confiança que a sociedade empresta àinstituição .

    1. Realmente, atitude inadmissível – da qual eu também já fui vítima antes, em dezembro/2010 – “em qualquer lugar e, com mais forte razão, em centros de ensino, formação e pesquisa”, especialmente em uma Universidade que se diz “Católica”: ainda haverá algum significado neste termo agregado ao nome da Universidade?
      A alegação de que as demissões visavam a “tornar melhor” o Programa de Pós em Saúde Coletiva cai por terra quando se evidencia a forma canhestra encontrada para implementar a alegada “melhoria”, desconsiderando a participação direta do conjunto da comunidade acadêmica.
      Certo, “ocorrem todo o tempo em todos os lugares”, é mesmo “assim que costumam agir as empresas”. Mas não deveria ocorrer em uma instituição de ensino, que jamais pode ser encaixada na categoria de negócio”.
      Quanto às condutas dos responsáveis pelas demissões, como bem colocado na publicação acima, apenas “ilustra de modo exemplar o nível de degradação ao qual podem chegar as relações acadêmicas que se suporiam pautadas pela civilidade e respeito ao outro”.

  22. Esclarecedor o comentário feito pela profa. Rosa Maria, dando conta de que há professores concursados na Unifesp que tem jornada de 40 horas em duas instituições, o que no mínimo é indesejável se quisermos ter seriedade na pesquisa e no ensino.
    Quanto à demissão da profa. Amelia Cohn, que me guiou no momento mais difícil do mestrado no longínquo ano de 1984, gostaria de opinar que dada a postura competitiva e instrumental que hoje preside as relações entre “pares” na Universidade brasileira, nada surpreende que a criatura tenha se voltado contra a sua criadora numa posição que é uma consequência desta lógica que hoje preside a racionalidade da Universidade seja ela pública ou privada. Trata-se de um reflexo da nossa sociedade, patrimonialista e regida pela norma do homem cordial, de que nos falou Sergio Buarque de Holanda, num mais lúcidos ensaios sobre a alma (!?) brasileira.
    Está no hora das entidades da sociedade civil como Cebes, Abasco, APSP e demais encetarem um amplo debate sobre este lamentável estado de coisas.
    Minha solidariedade à profa. Amélia Conh.

  23. O mesmo reitor, na gestão anterior, dispensou vários professores e publicou uma nota no jornal dizendo que essa dispensa era para melhorar a qualidade da Universidade, no entanto, esses professores dispensados eram profissionais com muita experiência e qualificação.

  24. Abraço minhas ex-colegas para expressar meu respeito e solidariedade. Já há quatro anos, esse tipo de demissão vem acontecendo. Creio que uma instituição que não sabe agir de forma transparente e humana na hora da demissão de um professor não deveria oferecer cursos nem de Administração nem de Licenciaturas já que não é capaz de aprender a ser respeitosa e grata na hora de demitir seu corpo docente que há décadas angariou prestígio para a Instituição .

  25. Minha solidariedade a mestra. Minha gratidão pela intersecção, pelos ensinamentos. Lamento imensamente pelo ocorrido. Causa estranheza e insegurança a minha turma do mestrado, que rumos tomarão o programa do mestrado e doutorado em saúde coletiva, da Unisantos.

  26. Uma instituição de ensino não é uma simples empresa! Tem que primar pelo respeito a seus professores. E respeito não pode vir desvinculado de reconhecimento e consideração. Lamentável a forma como as duas professoras foram tratadas!

  27. Junto-me ao coro de inconformismo e desagravo às Professoras Amélia e Rosa, lembrando que já em junho havia sido demitido o prof. Dr. Marcos Caseiro. Lamentável! O programa de pós-graduação strictu sensu da Unisantos simplesmente acabou!

  28. Vários colegas com suas opiniões acima foram meus pares na UNISANTOS.

    Lendo os comentários e lendo a missiva que os originou só tenho profunda lamentação. Antes de ser um trabalho formal a pesquisa, a docência, dependem de uma egrégora. As entidades religiosas bem sabem o que é isso e a importância para a alma de qualquer esforço coletivo.

  29. Não é de hoje que conheço a prática desta Universidade, muito distante de qualquer tradição acadêmica. Não se trata somente da simples demissão das Professoras Amélia Cohn e Rosa Maria Ferreiro Pinto, mas sobretudo o que elas representam aos alunos, por suas obras e experiência. É uma pena que as agências financiadoras brasileiras preocupem-se apenas com a produção burocraticamente demonstrada, alheias aos burocratas, que em geral nada sabem, a não ser atuar na base do segredo jesuítico e exercitar o alpinismo acadêmico. Vale a pena acompanhar a obra científica desses professores, tão comuns em nossas Universidades. Cobrem os seus direitos, incluindo dano moral, mas esqueçam desses adeptos da burocracia, um dia eles caem em seus colos. Abraços fraternos.

  30. Amélia Cohn e Rosa Maria Ferreiro, solidarizo com vocês. É lamentável que a UNISANTOS não valorize o saber e a contribuição de vocês na construção do Mestrado e Doutorado em Saúde coletiva da UNISANTOS.

  31. Em, 30 de janeiro de 2013, nas dependências da UNISANTOS com a presença de sua Excelência Reverendíssima D. Jacyr Francisco Braido, Chanceler da Universidade Católica de Santos, Bispo Diocesano de Santos o Sr. Magnífico Reitor Professor Mestre Marcos Medina Leite, entre outros em discurso de posse da Coordenação do Doutorado em Saúde Coletiva; proferido pela Sra. Denise Martin Coviello, destaco abaixo as seguintes perolas do discurso “A conquista do doutorado em Saúde Coletiva na UniSantos, que ocorreu na minha coordenação do mestrado, não deve ser restrita à minha pessoa, pois é fruto de um grande trabalho, desenvolvido ao longo de pelo menos dez anos, e que eu represento somente a ponta deste iceberg. Desta forma, embora neste momento esteja representando o colegiado de Saúde Coletiva, gostaria de reiterar que os obstáculos, os esforços, e as conquistas são igualmente divididas por todos os professores: Aylene Bousquat, Amélia Cohn, Lourdes Martins, Rosa Maria Ferreiro Pinto, Alfésio Braga, Luiz Pereira, Marcos Caseiro, Sergio Andreoli e Sergio Olavo.” E segue o discurso “Assim, o resultado deste amadurecimento ao longo destes 8 anos de mestrado, nos quais a maioria dos professores vem trabalhando junto há pelo menos 8 anos, resultou na aprovação do Doutorado em Saúde Coletiva “Algumas pessoas tem um lugar especial nas conquistas atuais. A profa. Rosa Maria Ferreiro Pinto foi uma das responsáveis pela criação da pós graduação strictu sensu na UniSantos e teve uma atuação marcante desde o início, seja como docente ou como pró-reitora acadêmica. A consolidação da pós graduação, coroada pelo nosso doutorado, tem muito a te agradecer Rosa.” E segue o belo discurso “Em 2009 já estávamos trabalhando na justificativa do projeto, a partir de um insight da profa. Amélia Cohn, que continuou como ideia central do texto.” pois bem; cinco meses após este discurso fui demitido em plena orientação de dois alunos, retirado da sala pela Sra. Denise Martin Coviello e Sra. Aylene Bousquat que além desta barbaridade ainda denegriram minha imagem perante vários professores afirmando que eu tinha falsificado meu Currículo Lattes; ambas estão sendo processadas por calunia e difamação, (em primeira audiência negaram tudo e pareciam duas anjinhas) irei até as últimas consequências diante de tamanha agressão; seis meses depois terminam o serviço demitindo Prof. Rosa e Prof. Amelia, provavelmente como prêmio aos agradecimentos do discurso. Em suma que tipo de pessoas são estas?? espero que a comunidade cientifica, o CAPES e todas as pessoas de bem estejam atentas a estas pessoas e a esta universidade.

  32. Pois é!!! A Inquisição continua bela e formosa nesta instituição . Senão, vejamos: até hoje espero o “porque”, convincente, de minha demissão que a Pro Reitoria ficou de retornar-me. A Gestão de Pessoas na Universidade Católica não existe. Tratam as pessoas com uma falta de humanismo e profissionalismo sem precedentes. Parece que quem administra está querendo apagar a historia da universidade eliminando aqueles que muito contribuíram na sua construção. A modernidade de uma universidade não se faz com professores novos mas sim com os experientes, uma administração moderna não se faz eliminando seu potencial humano mas sim com programas de gestão atualizados sendo conduzido por pessoas que possuam “expertise ” sobre as questões acadêmicas que envolvem a atual situação da universidade brasileira. Com certeza, a situação financeira sempre alardeada como deficitária, não foi decorrente do corpo acadêmico o qual hoje é vitima de uma politica mercantilista onde se preserva o lucro e não a qualidade. A regra é : troca-se a “Qualidade” pelo “Baixo Salário”. Gostaria de ressaltar, que na gestão da Prof. Dra. Rosa Maria, como Pro reitora Acadêmica, vivenciamos o clima de uma verdadeira Universidade, compartilhamos grandes realizações com a participação efetiva do corpo docente onde ressaltamos alguns valores, tais como, o respeito ao corpo docente, a liberdade de critica e expressão sem qualquer restrição e apoiados pelo corpo discente também sempre ouvido. Toda a minha solidariedade às Profª. Rosa Maria e Amélia Cohn.

  33. Hoje abro mão do silêncio para manifestar minha indignação em relação à tamanha barbaridade da qual tomamos conhecimento, o que mais nos incentivou a lutar até o fim pelo nosso mestrado foi a qualidade dos professores da instituição, conhecer Amélia Cohn, Rosa Ferreiro e Caseiro foi algo espetacular, estudar com eles, nem se fala, não tem preço, sinto pelos próximos alunos que perderam esse privilégio, pois eles sempre nos surpreenderam pelos profissionais que são e o conhecimento de cada um, quisera nos um dia chegarmos próximos ao conhecimento deles.
    Espero que a UNISANTOS reveja seus conceitos e veja o que estar lançando mão, isso foi uma imensa vergonha.

    Trechos de honra a: Rosa e Amélia

    Aprovação do Doutorado em Saúde Coletiva “Algumas pessoas tem um lugar especial nas conquistas atuais. A profa. Rosa Maria Ferreiro Pinto foi uma das responsáveis pela criação da pós graduação strictu sensu na UniSantos e teve uma atuação marcante desde o início, seja como docente ou como pró-reitora acadêmica. A consolidação da pós graduação, coroada pelo nosso doutorado, tem muito a te agradecer Rosa.” “Em 2009 já estávamos trabalhando na justificativa do projeto, a partir de um insight da profa. Amélia Cohn,

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