A fragilização das revistas editadas no país deixa o Brasil sem alternativas robustas para disseminar o conhecimento produzido pelos seus cientistas, em especial caso as condições contratuais internacionais tornem-se insustentáveis no futuro.

O Fórum de Editores de Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) manifesta sua profunda preocupação com os recentes rumos das políticas de financiamento à publicação científica, especificamente em relação ao subfinanciamento crônico dos periódicos científicos editados no Brasil e aos Acordos Transformativos firmados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) com grandes editoras comerciais estrangeiras.

Reconhecemos o esforço institucional em garantir que pesquisadores brasileiros possam publicar em periódicos estrangeiros sem o ônus individual das taxas de processamento de artigos (APCs). No entanto, é imperativo analisar as consequências sistêmicas e o desequilíbrio orçamentário que tal estratégia, associada ao subfinanciamento das revistas brasileiras, impõe ao ecossistema de ciência e tecnologia nacional.

Nossas preocupações fundamentam-se nos seguintes pontos:

Assim, propomos que, em paralelo a iniciativas sustentáveis e razoáveis de internacionalização da disseminação das pesquisas brasileiras em revistas estrangeiras, ocorra uma robusta estratégia de fortalecimento dos periódicos científicos editados no Brasil. A política pública deve ser regida pela equidade. No entanto, o modelo de editais com valores limitados e esporádicos destinados a revistas brasileiras ao lado da priorização do financiamento de publicações em revistas estrangeiras com fins lucrativos, não observa tal princípio. Nossas revistas são o espelho da trajetória de excelência, compromisso social e busca pela soberania de nosso país. É vital que o Estado brasileiro trate nossa capacidade editorial própria como um ativo estratégico, garantindo condições estruturais para as revistas e viabilizando a autonomia e a independência necessárias para que o Brasil siga sendo referência na produção e na disseminação soberana de conhecimento no cenário global.

Colocamo-nos à disposição para um diálogo construtivo que busque soluções sustentáveis para toda a ciência brasileira.

Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 2026
Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco
Fórum de Editores de Saúde Coletiva

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